João_Carlos_Pompermayer_2Pensar em Economia de Comunhão no Brasil é pensar no seu primeiro polo empresarial: Polo Spartaco. E não se pode pensar neste polo sem mencionar o empresário brasileiro João Carlos Pompermayer, que faleceu no dia 2 de julho em Bento Gonçalves (RS). Após seu falecimento algumas pessoas que estiveram próximas a ele nos últimos anos na construção da Economia de Comunhão demonstraram sua gratidão por todo o seu empenho nessa causa.

Maria do Socorro Pimentel: “Um homem forte, destemido, com opiniões bem formadas e grande capacidade profissional. Transmitia segurança a quem trabalhava com ele, lutando e discutindo sem temor de impor-se para salvar a verdade. Foi um grande batalhador em relação ao Projeto Economia de Comunhão, reconhecendo em Chiara Lubich a autora do Projeto e em Ginetta Calliari, protagonista do mesmo, em primeira pessoa. Ele tinha a capacidade de ouvir as palavras delas e colocá-las em prática sem questionamentos. João Carlos vinha todo o mês, incansavelmente, para as reuniões da Espri e para acompanhar os trabalhos no Polo Spartaco. Para ele era tão importante essa vinda que, muitas vezes, repetia que este se tornara o seu compromisso prioritário. Pela sua competência profissional e humana, trouxe contribuições inestimáveis ao Polo. Por exemplo, foi o autor do primeiro esboço do Regimento Interno do Polo; trabalho este tão bem feito e aprimorado, que foi aproveitado quase por inteiro. Mas, nesta sua competência, ele sempre se colocou no último lugar, valorizando e dando destaque a qualquer sugestão de outras pessoas, por menor que fosse.”

Antonio Carlos Cardoso: “Tive a oportunidade de conhecer o João Carlos em 1990. Criamos uma grande afinidade, até pelas características dele serem parecidas com as minhas. Depois de um tempo, fomos nos reencontrar na Espri. Devem ter sido uns 14 anos ou mais de convivência, em que todo o mês nos encontrávamos ou trocávamos e-mails, cuidando das atividades do Polo. Impressionava a seriedade com que ele cuidava das atividades, dos projetos da Espri. Pelos trabalhos apresentados por ele, imaginava quanto tempo ele dedicou àqueles itens.”

Alberto Ferrucci: “Lembro-me que quando chegou o momento de construir “realmente” o Polo Spartaco e, Ginetta perguntou-me a quem eu achava que ela deveria pedir para assumir esta tarefa tão difícil – sabendo, de fato, como seria árdua – eu lhe respondi: só podemos pedir isso a um empresário experiente e que seja também um pai de uma focolarina (*). Disse isso quase como uma brincadeira, sabendo por experiência, que um pai nunca consegue responder “não” ao pedido de uma filha. Eu não sabia que ele era um grande empresário, e, no entanto, dois dias depois João Carlos chegou à Mariápolis, após ter viajado (de avião) dois mil quilômetros. Estava ali à disposição, porque foi sua filha quem pediu, a fim de fazer aquilo que estavam sonhando juntos. João Carlos, com quem eu logo senti uma verdadeira comunhão fraterna, levou adiante esta tarefa por mais de 20 anos, contribuindo com todos os seus talentos para a construção do polo

Armando Tortelli: “Sempre me impressionou o seu testemunho e amor pela EdC e isto expressava-se em ações práticas. Algumas absolutamente silenciosas, mas sempre no amor concreto ao outro. Sua presença no polo não se tratava de uma participação passiva, mas muito pró-ativa e de grande contribuição. Estar ao lado do João Carlos era aprender sempre, mas não apenas um aprendizado humano, ele nos transmitia com sua própria vida toda sua competência sempre mais contagiante. Pensar no pólo, sem o João Carlos é quase inconcebível, mas contemos sempre com seu exemplo e dedicação.”

Ricardo Faria: Falar do João Carlos é falar da EdC no Brasil, desde os primeiros tempos… Na época dos primeiros passos para o planejamento da construção do Polo Spartaco conheci o João Carlos. Ele foi talhado para assumir toda a parte técnica do projeto: competente, humilde, sabia ouvir todos, firme em seus argumentos. Mesmo com meu afastamento do Conselho, encontrar o João Carlos era uma grande alegria. Ele me chamava de “meu Presidente”. Era aquela amizade e estima que sempre nos ligou e que continua; saudades, no entanto, esta ninguém pode me tirar.”

Carlos Alberto Ferrari (atual presidente da Espri): “Recordando os momentos do início da EdC, na compra do terreno, onde mais tarde surgiu o polo industrial e todas as reuniões em que estivemos juntos, faço a seguinte reflexão: João Carlos era um homem com H maiúsculo, dono de um amor que não cabia em seu coração, generoso, disponível, amável, de trato fino, enfim um irmão!”

Para concluir, Rodolfo Leibholz, que compartilhava da mesma fé e espiritualidade, faz uma homenagem especial em forma de poesia:

Ao amigo João Carlos…

Quando Jesus veio ao mundo, não O reconheceram.

Hoje também é difícil ter a sensibilidade e as condições para vê-Lo.

Mas, no amigo João Carlos O reconhecemos…

Penso nos exemplos que ele nos deu,

E no amor especial que dele recebemos…

Assim Deus se fez presente entre nós…

Em cada ideia que ele trouxe,

Em cada ação que levou adianta nosso Ideal…

Foi uma nova revelação de Deus.

Na sua elegância impecável

No rigor e seriedade de suas atitudes,

Nessa harmonia, reconhecíamos Jesus.

Muitas vezes, tinha um ar de profeta,

Quando nos corrigia o caminho…

Nas frustrações, dores, escuridão…

Reconhecíamos Jesus na Cruz.

Em cada inspiração, realização,

E riscos que assumíamos…

Era Deus nos chamando para sermos seus discípulos,

E João Carlos sempre cumpria sua missão.

(*) Os focolarinos deram o nome ao Movimento dos Focolares. Vivem em pequenas comunidades de leigos – os focolares -, coração de todas as realidades que compõem o Movimento, e empenham-se em manter vivo o “fogo”, do qual deriva o nome focolare.

Fonte: http://www.anpecom.com.br/


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