Giulio

 

“A eternidade é o presente momento …

Cada instante é um tesouro a ser oferecido.(…)

As pequenas dores de cada dia que, pela idade, sobejam

São como espinhos preciosos que as rosas do amor embelezam…”

Giulio Sarrugero, sim, era também um poeta. Estes são alguns dos versos que concluiu no dia 13 de Novembro a saudação de Adeus a esse focolarino italiano, que concluiu a sua jornada terrena aos 89 anos, dos quais 48 vividos em terras brasileiras. Uma pequena-grande multidão estava presente na Igreja de Jesus Eucaristia da Mariápolis Ginetta (SP) para expressar a gratidão pelo dom de sua vida.
Quem é Giulio?
Nasceu em Melzo (Milão), em 3 de dezembro de 1925. É o mais novo dentre os oito filhos de uma boa família cristã. Em 1943, conclui a Escola Técnica, em Milão. Em 1944, foi convocado pelo Exército em plena Segundo Guerra Mundial. Para ele, a guerra era uma loucura. Poucos meses depois, ele conseguiu escapar e foi então que sentiu o chamado para dar a sua vida pela paz, doando-se completamente a Deus.  Mas não sabia como.
Após a Guerra, atuou como sindicalista e estava generosamente empenhado na paróquia. Sentia-se, porém, insatisfeito.

Em 1953, ele conhece o Ideal da Unidade. A descoberta de que é possivel viver o Evangelho na vida cotidiana deixa-o fascinado. Em 1954, encontra o seu caminho: a consagração a Deus como focolarino. Em 1966, muda-se para o Brasil, onde o Movimento dos Focolares está se difundindo rapidamente. Desembarca em Recife, no Nordeste. Pouco tempo depois, a pedido de um bispo, Dom Angelo Rivatti, juntamente com outro focolarino transfere-se para a Ilha de Marajó, na foz do Amazonas, a fim de apoiar um trabalho social e de evangelização  junto aos pobres. Experimenta que viver o evangelho é realmente uma revolução social! Em 1970, partindo da Floresta amazônica chega à floresta de arranha-céus de São Paulo. De onde embarca em muitas viagens, para transmitir a nova vida do Evangelho vivido, nos estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De volta ao Recife, em 1974, onde passa momentos muito difíceis, mas superados com um vigoroso e novo amor a Jesus crucificado e abandonado. O seu ardor não se exaure. Pois segue com zelo jovens e adultos em diferentes cidades: Natal, Fortaleza, Palmares, … e Salvador, fazendo-os discernir em uma lúcida relação interpessoal  a nova vocação leiga à vida em comunidade típica dos Focolares; trabalha diligentemente  na consolidação das comunidades locais, onde se vive a Espiritualidade da Unidade, em diferentes Estados  do Nordeste do Brasil.

Desde 1983 residia na Mariápolis Araceli (atualmente Mariápolis Ginetta), onde contribuiu para o seu desenvolvimento através da realização de várias tarefas. Foi um dos pilares da Editora Cidade Nova na venda de livros e de assinaturas da Revista homônima. Muitas pessoas recordam-se dele como responsável do Movimento Paroquial graças à sua atuação incansável e plena de simplicidade no anúncio da Palavra e na partilha dos frutos desta vivência evangélica. É “artítfice” e testemunha de mudanças de vida, de muitas conversões, milagres que acontecem na história de pessoas que acorrem a esta  “cidade de Maria”.

Com o passar dos anos, a saúde vai se debilitando, mas Giulio se diz “super feliz, porque eu tenho algo de valioso para oferecer pelo Movimento no Brasil  e no mundo inteiro.” Melhor ainda, ele expressa sua experiência, que parece definir essa última etapa, em verso:

“Sim, cada ano que passa para o físico que envelhece,
é uma luta constante.
Mas, pelo espírito que o amor a Jesus Abandonado faz crescer,
é passar de Paraíso em Paraíso a cada instante.
A presença de Jesus em nosso meio faz brilhar cada gesto
e ato da nossa caminhada,
nos proporciona a possibilidade de transformar
mesmo as pequenas coisas rotineiras,
numa estupenda escalada. “

Giulio 2013.foto Bertin Lumbudi.DSC_0933

 


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