Carta de Emmaus sobre o falecimento de Jorge Zogheib

 

Rocca di Papa, 6 de abril de 2017

Caríssimos e caríssimas, Jorge Zogheib, focolarino brasileiro da Mariápolis Ginetta, chegou ao Paraíso no dia 3 de abril, após alguns dias no hospital, marcados pelo sofrimento, sempre sustentado pelo amor dos familiares e pela unidade da Obra.

Nas últimas horas, estavam ao seu lado os dois irmãos: Eduardo com a mulher – ambos voluntários – e Saad focolarino, com Marcos Leonel do seu focolare. Antes de sair do hospital, Saad lhe deu um beijo na testa e naquele momento Jorge partiu para o Céu em grande paz.

Nascido em 1947 numa família de pai ortodoxo e mãe católica, desde a adolescência sentiu um forte impulso à santidade. Aos 17 anos: “o fulminante encontro com o Movimento”. Na sua primeira visita ao focolare de São Paulo, aonde foi para conhecer melhor a espiritualidade, foi acolhido por um focolarino que o convidou a lavar uma grande quantidade de pratos na cozinha. Depois de um momento de resistência, aceitou. “Isto fez com que eu entendesse que o Ideal não era tanto um conhecimento teórico da fé, nem mesmo do cristianismo, mas amor concreto”.

Jorge, sendo um dos primeiros gen e dos primeiros focolarinos do Sul do Brasil, foi um ponto de referência importante na construção da Obra seja no Nordeste, seja no Norte do país, como também por anos na Mariápolis Ginetta, junto com Volo e com Ginetta.

Além disso, desempenhou com dedicação a função de conselheiro no Centro dos Focolarinos em Rocca di Papa, dando também aqui um exemplo de honestidade e de fidelidade incondicionais a Chiara e ao carisma. A sua Palavra de Vida é: “Jamais deixareis de seguir-me” (Jr 3,19).

Com generosidade e tenacidade gerou muitos ao Ideal, se ocupando da formação de focolarinos e gen. Amava muito os gen4, os gen3 e as famílias. Para todos foi um amigo, um irmão e um pai. Sempre respeitou as pessoas simples e tinha um grande senso da dignidade humana.

Em 2005 lhe foi diagnosticado o mal de Parkinson. Iniciou uma etapa marcada por uma forte e decidida empinada rumo à santidade. Em junho de 2007, escreveu a Chiara: “Vivi durante quase dois meses momentos delicados pela minha saúde… Mas este período resultou uma graça especial pela unidade vivíssima contigo, com os popos e as popas e também pelo quanto, amando Jesus Abandonado, Ele pôde esculpir na minha alma”.

Jorge sempre transformou o sofrimento em amor. De trechos do seu diário: “Devo acreditar com mais convicção que na economia divina faz mais uma pessoa inativa na Vontade de Deus, que aquela superativa fora dela”“Acordo de noite, com dificuldade de retomar o sono. Hoje a novidade é: consegui transformar estas horas em oração, me unindo ao sacrifício de Jesus na cruz”.

E ainda: “Gostaria de pedir não a saúde, mas que eu possa viver em plenitude a Vontade de Deus. Mas uma ou outra para o bem da Obra, não para mim” – “Não encontro uma posição cômoda, os movimentos estão um pouco bloqueados … tenho diante dos olhos um crucifixo e nasce um diálogo com Ele: ‘mas Tu não podes nem mesmo mudar de posição; está fixo, crucifixo’.

O Esposo não me abandona, não me dá tréguas”. Durante o último período de Chiara na terra, Jorge escreveu: “A vida de Chiara está suspensa por um fio sutil e frágil. Dela me chega uma força e uma vontade de viver vigorosíssima. Quem gera morrendo, morre vivendo. O amor é a Vida. Quem ama não morre”.

É o quanto Jorge testemunhou até os últimos dias. Apaixonado pelo Ut omnes, vivia por este sonho de Chiara e, sem tréguas deu sempre tudo de si. Temos certeza de que, do Paraíso, com Chiara e todos os nossos que já chegaram, nos ajudará a concretizar este sonho. Unidos em oração com o Ressuscitado entre nós,

Emmaus

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