Um seminário de diálogo para arquitetos e engenheiros

 

Quando pensamos em arquitetura, engenharia, sempre lembramos de imagens, de projetos palpáveis, mas a arquitetura tem uma voz, tem um sentido, e é um instrumento de união, de ações conjuntas, ideias para o bem” (Marcia- arquiteta de Vargem Grande Paulista)

 

Essa foi uma das impressões no evento realizado no dia 8 de abril na Mariápolis Ginetta com o titulo “A cidade: espaço de diálogo”, o primeiro promovido no Brasil pela rede “Dialoghi in archittetura”.

Tudo nasceu de um grupo de profissionais de Vargem Grande Paulista e região que, em contato com a experiência e testemunho de vida de alguns de nós da cidadela, suscitou neles o desejo de dar um novo sentido à própria atuação profissional. Encontraram no Carisma a possibilidade de dar um significado àquilo que fazem transformando a própria atividade em um instrumento de realização e de renovação da sociedade onde estão inseridos.

Preparação

O seminário começou muito antes do previsto. Já nos dias que precederam o evento, nos encontramos com alguns profissionais deste grupo para a preparação: estudo e montagem de uma expo com painéis e stands; uma dinâmica de sons a ser feita como preparação do relato da experiência profissional feita na construção da Igreja de Jesus Eucaristia, etc… esta convivência colocou uma base profunda de relacionamentos que seria depois a proposta feita no evento.

Participaram 48 profissionais entre os quais, um bom grupo de estudantes e outros recém-formados, bem como empreiteiro, pedreiro… e também alguns profissionais de diversas partes do Brasil conectados via streaming.

Partindo da apresentação do Carisma na ótica da “Luz Branca” e dos princípios fundamentais do Dialogo com a Cultura, (apresentados pela professora Maria Goretti, e o prof. em Ciências Politicas Marconi Aurélio) pouco a pouco nos imergimos no conceito da cidade como espaço relacional (arq. Vera Chamie).

A ilustração do conceito se seguiu com a experiência da atuação profissional, muito valiosa e elucidativa, do Eng. Civil e Urbanista Fernando Ortiz nos seus 37 anos de atuação junto à prefeitura de São Bernardo do Campo.

A Igreja de Jesus Eucaristia

Na parte da tarde, depois de uma breve apresentação da Mariápolis fizemos juntos uma caminhada pelas ruas da cidadela até a Igreja de Jesus Eucaristia, onde a arquiteta. Miriam Reichert e a engenheira. eletricista, Fatima Souza, narraram a experiência feita por arquitetos, engenheiros e operários durante a execução da obra. Uma dinâmica com sons e olhos vendados preparou o ambiente para esta apresentação.

O programa prosseguiu com a significativa experiência feita pelo Dialogo com a Cultura em colaboração com outros, na cidade de Medellin, apresentada pela arquiteta Miriam Reichert que mostrou a dimensão e a potencialidade dos conceitos implantados numa dimensão social.

Não poderia faltar um momento de diálogo entre todos, com perguntas e respostas, onde veio em evidencia a importância da atuação desses valores apresentados na vida quotidiana.

Novos encontros foram já programados entre alguns grupos de interesse para aprofundar aspectos específicos da atuação destes. Por exemplo, a Associação de engenheiros e arquitetos de Vargem Grande Paulista fixou data com o engenheiro Fernando Ortiz para um encontro com os profissionais da cidade de modo a aprofundar os desafios urbanísticos que enfrentam; o grupo de 6 estudantes de Curitiba se encontrou com o engenheiro Sergio Luís para o início de uma troca de experiências. Também foi expresso o desejo de ter um canal de comunicação entre todos para continuar a comunhão iniciada com o seminário.

 

Algumas impressões:

“ Fiz muitos projetos ao longo dos anos, mas só hoje encontrei o sentido de tudo que fiz na minha vida” (Márcio- engenheiro civil- São Paulo)

 

“ O que mais me impressionou foi ver a engenharia na perspectiva filosófica” (André- eng. Químico VGP)

 

“Precisamos criar um canal de comunicação para que a comunhão cresça entre nós” (Analice – arq. Itu)

 

“O dia superou em muito as minhas expectativas”. No final do seminário estava emocionada e ao contrário do que havia dito, que teria ficado por um breve período, permaneceu até o ultimo momento (Tania- arquiteta VGP)

 

“ Não sei se todos temos a consciência do nível e da importância de tudo o que estamos recebendo hoje… Quando pensamos em arquitetura, engenharia, sempre lembramos de imagens, de projetos palpáveis, mas a arquitetura tem uma voz, tem um sentido, e é um instrumento de união, de ações conjuntas, ideias para o bem” (Marcia- arq. VGP)

 

“De agora em diante não construirei mais muros, mas só pontes…O seminário me fez entender melhor os arquitetos, em particular aquela com quem trabalho. Executando os seus projetos eu construo casas, enquanto que em outras obras sinto que construo blocos de gelo, espaços sem vida”…Neste seminário escutei, pela primeira vez o reconhecimento de toda a equipe que está na rede da edificação de uma obra, aprendi no SEBRAE que existe uma hierarquia no processo da construção começando com o cliente, como num organograma. Mas aqui entendi que o cliente é o início e o fim do processo e que no meio estão todos os profissionais: os arquitetos, os engenheiros, o empreiteiro, o mestre de obras, o pedreiro, o ajudante… cada um com a sua específica função e importância. ” (Vanildo – mestre de obras – VGP)

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