Por que me tornei “catequista”

 

De Porto Alegre, nos conta Regina.

Jamais passou por minha cabeça ser catequista de alguém! Motivo? Eu faltei a quase todos os encontros de preparação para a minha Primeira Comunhão. Abracei aquele grande acontecimento de minha vida sem que tivesse me aplicado para tanto. Naquele dia (26/10/1969), ao entrar na Igreja, enfileirada com as outras crianças, sentia remorso por estar mal preparada para algo tão sério.

O remédio encontrado naquele caminhar em fila, na direção do Altar, da qual eu não podia sair, foi pensar que, sendo para dar uma alegria a Jesus, não importava tanto eu não saber tudo o que deveria, mas a minha disposição de dizer-Lhe o meu “Sim”, de todo o meu coração, com alegria, e para tudo em que Ele me quisesse! Hoje posso dizer que Ele ouviu e muito Lhe agradou aquela minha prece instantânea.

Mais de quarenta anos depois, estava eu a saudar as pessoas que chegavam para a Missa, na porta da mesma Igreja onde fizera a minha Primeira Comunhão, quando percebi o embaraço de nosso pároco ao ser confrontado por uma jovem, que retornava para insistir em ser preparada para a Primeira Comunhão e Crisma. Alegava o padre, muito chateado, que estava com falta de catequistas para adultos e ele próprio, impossibilitado de assumir mais aquele compromisso.

Na sua aflição, o padre me lançou um olhar, exclamando: “O que posso eu fazer?”!

… E pergunta logo pra mim (pensei eu com os meus botões)!

Mas penalizada pela situação de ambos rompi o meu silêncio e, num ímpeto, uma estranha resposta pronta pulou dos meus lábios: se o senhor me arrumar o material, eu posso prepará-la!

Era tudo o que os dois naquele momento queriam ouvir! O padre, na mesma hora, disse à jovem: “essa é a tua catequista! Fala com ela e combinei como farão”! A jovem, naquele dia, saiu com data e hora combinadas para os nossos encontros semanais e eu, com um livrinho publicado pela CNBB, cujo título é: “Sou Católico”. O padre me disse: “Quando ela souber tudo o que está neste livro, poderá receber os Sacramentos”.

Lendo-o, para estabelecer um cronograma, achei várias passagens excelentes; outras um tanto monótonas para o que me parecia ser o perfil daquela jovem; outras ainda, prolixas ou resumidas demais.

Duvidei que a moça, embora tivesse ganhado o seu exemplar, viesse a se interessar por ele a ponto de lê-lo na íntegra. Para contornar a situação, decidi mesclar seu conteúdo com material e vivências do Movimento dos Focolares, além de textos pinçados de outros bons livros católicos, cursos e pregações sobre os mesmos temas, procurando ilustrá-los principalmente com experiências de vida. Enfim, terminou que aquele primeiro livro, em grande parte, foi usado mais como apenas roteiro de uma catequese para adultos.

Logo em seguida, o padre começou a mandar mais adultos para essa catequese, e cada um trazia uma bagagem diferente de história de vida, saberes e necessidades variadas, que nem sempre eram comuns a todos.

Para melhor poder comunicar a cada um aqueles mesmos temas, eu procurava adaptar, reformular e pesquisar diferentes meios para tornar as abordagens sempre interessantes, segundo cada estilo. Basicamente, era falar dos mesmos conteúdos, mas vinculando-os às muitas realidades existentes e que permeiam o mundo de cada pessoa, mostrando, ao menos um pouco, o que é ser, amar e defender a Igreja e a humanidade na atualidade e com todas as questões que hoje nos sacodem.

Frutos preciosos surgiram a partir desse trabalho dedicado. A fé foi se tornando viva, palpável para aquelas pessoas, e podia-se ver seus resultados principalmente na disponibilidade com que assumiam novo compromisso com a Igreja e alguns passaram a expressá-lo também na comunidade paroquial.

 

A continuação…

 

João  fez a catequese de adultos no ano passado na paróquia em que sou catequista.

Ele trazia consigo uma enorme frustração na vida: estava casado há 14 anos e não conseguiam engravidar. Ele apresentava problemas nos exames e ela, ao conceber, não conseguia segurar o feto.

Resolveu ele, então, o que chamou de “último recurso”: procurou a Igreja e pediu para ser batizado. Fez a catequese completa e, no fim do ano, recebeu os Sacramentos do Batismo, Primeira Comunhão e Crisma.

Na noite do Crisma, me deu a notícia: ela está grávida! E, no Dia dos Pais, nasceu uma bela menina!

Vejam a alegria dele no diálogo que reproduzo em parte:

Em uma mensagem para mim, escreveu:

“Será batizada, assim como o pai, na igreja São Sebastião. Obrigado por tudo!”

Ensinar a amar, confiar e esperar em Deus, como Chiara nos ensina é mostrar que em Deus tudo se torna possível, não é mesmo?

 

 

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