Geane Moura: “eu me reencontrei”

 

 

Depois de algum tempo longe do Movimento dos Focolares, Geane foi convidada a participar de um encontro em Recife que mantinham acesa a chama dessa espiritualidade em seu cotidiano.

Geane retornou desse encontro como se a vida lhe tivesse dado uma oportunidade de recomeçar. Ela estava ávida para recompor sua trajetória e refazer laços antes rompidos com quem quer que fosse. Ela mesma dissera um dia para uma amiga: “…eu me reencontrei!”.

Passou a viver cada dia e cada momento como se o tempo lhe fosse escapar pelas mãos; se tornou uma gigante na arte de amar, e amar aqui significa, superar-se a si mesma, ir além dos próprios limites e dos limites dos outros. Amar na dinâmica focolarina implica em usar o verbo dar, dar a túnica, o tempo, o pouco que tem a própria vida se necessário, as ideias das quais por vezes somos tão apegados, perdoar e pedir perdão e contribuir para que o outro experimente a sensação de uma liberdade especial.

E assim foi com o pai de suas filhas, que, depois de algum tempo e de situações pendentes resolvidas pode reaproximar-se da comunhão eucarística. Perdoar e recomeçar foi um gesto de reciprocidade.

Geane Moura era professora, diretora de escola, e seu senso de humanidade nova lhe dava autoridade para ser a profissional diferenciada, que contribuía para geração de cidadãos conscientes, capazes de fazer mais e melhor o que lhe competia. Tudo isso gerou nos colegas, funcionários e alunos a grata sensação de que um anjo bom lhes havia dado a oportunidade de perceber o valor e a importância do outro em suas vidas, nos seus relacionamentos.

Em casa com os seus, não era diferente, o amor aos pais, o zelo pelos irmãos e parentes, a criatividade que a fazia inventar sempre um motivo para aproximar a todos era uma característica sua. Com as filhas, mais que mãe era grande amiga, sabia compartilhar as alegrias e dificuldades sem se distanciar do zelo rigoroso de uma mãe que orienta e protege. Não perdia a ternura, mesmo quando tinha que ser mais dura na difícil arte de educar nos dias atuais.

Geane tinha muitos projetos que desejava realizar, numa conversa com uma focolarina disse: “Quero me preparar para fazer essa experiência ano que vem no Projeto Amazônia. Você me ajuda?”

Uma amiga disse sobre ela: Geane, escondia naquele sorriso, naquela alegria e naquele olhar um profundo amor ao Seu verdadeiro Esposo: Jesus Abandonado, o Seu Deus onde esconde a dor e dar aos outros só o amor e luz”.

Outra fez a seguinte ponderação sobre o grupo que ela criou numa rede social:Geane foi iluminada por Deus quando criou esse grupo, pois através dele, o Senhor nos permite a cada dia  nos alimentar do dom de amor que é cada uma que está aqui. Sigamos pedindo e oferecendo a Nossa Senhora a graça da conversão, para que vivamos intensamente, com alegria e simplesmente na corrida do amor”.

A doença que aos poucos se manifestava, diminuía sua mobilidade, contudo, ela se colocava sempre a disposição para ajudar, sua casa estava aberta para quem precisasse e foi a primeira a dispor da mesma para a Mariápolis em Salvador. Sobre isso disseram: “Foi a primeira a disponibilizar sua casa para acolher alguns mariapolitas, mesmo com a dificuldade de locomoção. Impressiona a disposição em amar concretamente. Um exemplo”!

O tema da Mariapolis em Salvador foi sobre Jesus Abandonado, um ponto da espiritualidade dos focolares que pode ser refletida sob o prisma do carisma da unidade e que se encontra em sua vasta literatura. Quando Geane ouviu a meditação nessa Mariapolis chegou a refletir sobre sua situação no grupo em que estava e uma mariapolita que a conhecia bem relatou:

“A vida é um sopro. Ficamos no mesmo grupo na Mariapolis e no nosso encontro de Grupo ela compartilhou uma grande dificuldade na aceitação da doença degenerativa que a acometia. E naquele momento ela deu o passo de aceitar a dor da dificuldade de mobilidade que por ser uma pessoa muito ativa estava sendo muito duro essa realidade. Após esse momento de aceitação daquela dor percebi que ela aproveitou a Mariápolis com muita liberdade e alegria”.

Geane nos deixou vítima de um mal súbito uma semana antes de completar seus cinquenta anos de idade e logo depois da Mariapolis. Surpreendeu a todos sua partida tão repentina. Seu funeral tinha um timbre de festa. Não poderíamos deixar esse momento passar sem fazer memória à trajetória de alguém tão especial.

Uma amiga escreveu: “Penso que é festa no céu”! Por isso, “Queremos agradecer pelo dom que você é e foi para cada uma de nós – O dom do sorriso aberto e acolhedor! Quanta energia luminosa no seu olhar pudemos contemplar! Quanta entrega! Quanto recomeço! Quanta coragem!”

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