Criatividade e muito diálogo no 9º encontro dos artistas

 

Estranhem o que não for estranho

Tomem por inexplicável o habitual                                                                                              

Sintam-se perplexos ante o cotidiano (…)                                                                                      

Façam sempre perguntas                                                                                                                      

Caso seja necessário                                                                                                                      

Comecem por aquilo que é mais comum (…)                                                                                  

Para que nada seja considerado imutável                                                                                          

Nada, absolutamente nada                                     

Nunca digam: isso é natural!

(Brecht. A exceção e a regra. In: Teatro completo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990).

 

Em seu 9º ano de realização, o “Encontro dos Artistas”, continua a encantar os participantes com a sua proposta criativa e de diálogo. Idealizado por artistas que vivem o carisma da Unidade, o grupo se alarga cada vez mais, agora com protagonistas também de outros grupos.

Neste ano, a cidade escolhida para sediar o encontro foi Curitiba. Lá, entre os dias 22 a 24 de setembro, estiveram presentes 43 artistas de 8 estados do Brasil. Eram músicos, atores, poetas, arquitetos, designers, artistas plásticos, entre outros, do Amazonas, Piauí, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A cada ano os desafios se tornam maiores, já que o encontro acolhe um grupo muito heterogêneo de artistas: cristãos, ateus, praticantes de diversas formas de religiosidade, alguns radicais em sua posição de artista no mundo, outros mais conservadores. Juntos, buscam por meio da criatividade e do diálogo descobrir a essência de serem artistas em meio a tantas diferenças.

“Muitas pessoas pensam que por sermos artistas somos iguais. E não é assim. Cada um tem um pensamento, uma ideologia política e visão de mundo e de arte completamente diferente do outro. A nossa proposta ali dentro é justamente essa, de desenvolver um diálogo a respeito de temas que sejam comuns a todos, como o processo criativo, para além da diferença que exista entre nós. É um diálogo pautado num profundo querer bem. E cada um que chega é convidado a fazer a mesma experiência”, destaca Adriana Rocha, artista plástica.

Para promover esse diálogo profundo, a programação contou com atividades pela cidade e momentos de aprofundamento e artísticos no Centro Cultural Solar do Barão, um prédio de 1883 e que hoje abriga vários espaços culturais e oficinas de arte de Curitiba.

Os artistas tiveram a chance de fazer um tour por pontos turísticos arquitetônicos, participar da festa de abertura no Focolare da cidade, com direito a jardim iluminado, vinho e aperitivos. E também participar do show do Gabriel Almeida Prado, um dos participantes do encontro, que já tinha show marcado em Curitiba naquele fim de semana.

Nesse ano, como pano de fundo de uma mesa redonda, os artistas aprofundaram dois conceitos distintos, mas com forte ligação entre si: o dos Dispositivos, trazidos pelo Agamben – segundo sua compreensão, dispositivos são conjuntos de estratégias, as mais variadas possíveis, assim como regras, leis, combinados sociais, estruturas, acordos não verbais, etc que condicionam ações e saberes e que também são por eles condicionados – e o da Naturalização, trazido por Brecht – Brecht solicita que o habitual seja estranhado para que nele não se veja mais uma vez o que estamos acostumados a vivenciar em nosso dia-a-dia.

A ideia era pensar esses conceitos à luz da experiência e da prática artística.

No domingo pela manha, se dividiram em grupos para participar de três salas de conversa: dispositivos e naturalização; a arte é livre?; a arte e o social.

Claro, que em meio a todos esses diálogos, o programa era recheado de muitas apresentações e construções coletivas de arte.

As fotos não deixam mentir 😉

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