E assim aconteceu o melhor aniversário da minha vida…

 

“São Carlos, cidade do clima, capital da tecnologia.

Povo simples, inteligente, trabalhador, acolhedor. Essas são as características de quem é filho desta terra, imersa no corre-corre do dia a dia mas que ainda contém dentro de si valores como a solidariedade, generosidade, partilha, e utiliza as oportunidades mais simples para vivenciar o bem-comum.

Isso retrata muito bem o episódio vivido por mim, Elizabeth. Sendo uma simples dona de casa, mãe, avó, senti a necessidade de fazer algo de concreto para as pessoas mais necessitadas da cidade. Procurei alguns amigos que também não queriam ficar indiferente às necessidades do outro e coloquei as minhas ideias.

Ao saber da existência de um grupo da igreja Católica que também fazia este tipo de trabalho, fui ao encontro destas pessoas e descobri que também poderia colaborar com a doação de roupas e alimentos para os moradores de rua. Contudo, sentíamos que poderíamos ir além, e o primeiro passo foi deixarmos de fazer um lanche farto e começarmos a fazer um café mais simples nas nossas casas para podermos partilhar com os mais necessitados.

Outras pessoas, ao saberem desta nossa movimentação, se comprometeram em dar algo a mais, e assim, uma família doou 30 quilos de salsicha, outra pessoa doou uma cama, mais tarde chegou um fogão. As pessoas do prédio onde moro, ao saberem, se colocaram a disposição para ajudar e foram ao encontro daqueles mais pobres. Não faltaram as doações.

Neste período, estava se aproximando o meu aniversário e pensei qual seria a melhor forma de comemorar. Lembro-me que naquele dia o Evangelho falava de convidar para uma festa as pessoas que não pudessem retribuir. Conversando com a minha família, decidimos então comprar um bolo de aniversário confeitado, refrigerantes, torta, chamamos os nossos amigos que condividem as nossas mesmas ideias e fomos ao encontro daqueles que mais necessitavam.

Ficamos sabendo que todo mês tem uma missa para essas pessoas que são assistidas e o sacerdote ao saber da nossa iniciativa ficou muito feliz.

Então, também nós neste mês participamos da missa e depois começamos a festa.

Para os parabéns, chamamos todos aqueles presentes que aniversariavam naquele mês. A alegria foi grande para todos. Estavam presentes mais de 80 homens que ali estavam sendo assistidos e pelos nossos cálculos daria apenas um pedaço de bolo para cada um. Quando vimos eles estavam repetindo. Nós não pudemos deixar de acreditar na “multiplicação”.

Afinal, estávamos emocionados e com o coração ardendo. Sentíamos que não era apenas uma ação ativista, mas estávamos motivados por algo de mais profundo, que nos colocava a serviço do outro, sentindo as suas necessidades.

Um senhor disse que estava muito feliz e emocionado, pois desde que tinha 10 anos de idade não comia um pedaço de bolo de aniversário. Eu vi  que seus olhos brilhavam de alegria, como as luzes da minha cidade.

Eu bem sei que não conseguimos resolver os problemas daqueles pobres, mas acreditamos que a vida é composta de momentos que compõem o nosso dia, e proporcionamos a todos um momento de verdadeira felicidade.

E assim aconteceu o aniversário mais feliz da minha vida!”

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