O nascimento dos Focolares: história e sociologia de um carisma

 

callebaut-focolari-copertinaDe uma pequena cidade do Norte da Itália aos cinco continentes. Um amplo dossiê de viés sociológico delineia a história dos Focolares, do nascimento até a aprovação definitiva por parte da Igreja em 1965. Uma reconstrução detalhada, encorajada pela própria fundadora dos Focolares já desde os anos 1980, publicada pela primeira vez em 2010 numa edição francesa, foi ultimamente traduzida em italiano por Città Nuova. Piero Coda, reitor do IUS, no prefácio, introduz o estudo de Callebaut com estas palavras: «Uma abordagem científica integral à história dos Focolares até hoje ainda não existia. […] a presente pesquisa, pela primeira vez, constrói e instrui um dossiê histórico e interpretativo do relevante fenômeno representado pelo Movimento dos Focolares […] O trabalho é acurado, pontual, completo dentro do possível […] indiscutível e excelente sob o perfil histórico».

Entrevistado por Lorenzo Prezzi para settimananews.it, Bernhard Callebaut (Bruges, 1953), com estudos de direito, filosofia e sociologia na Universidade Católica de Lovaina, atualmente professor convidado no “L’Angelicum” de Roma e no Instituto Universitário Sophia, próximo a Florença, do qual é também Program Director do Grupo de pesquisa Religions in a Global World, explica o sentido da obra: «Acho que a pura narrativa testemunhal, na qual se sente muito viva a pessoa, continue sendo sempre válida. Não acho que um livro como o meu possa cancelar da minha história o choque benéfico experimentado diante da leitura de algumas páginas do primeiro livro da Lubich (Meditações), páginas que estimulavam a viver as mensagens que continham. Após esta premissa, creio que, num segundo momento, devam ser respeitadas aquelas exigências de entender, de contextualizar, de ligar o fenômeno em si a uma história pregressa e colher, pelo menos um pouco, a sua perspectiva futura».

Foco_Chiara_DonForesiOs primeiros vinte anos da história dos Focolares são perscrutados a partir das “iluminações” de Chiara Lubich, que se tornaram em seguida núcleos centrais da sua espiritualidade. «O carisma é sempre concedido a alguém particularmente, também aqui» explica Callebaut. «Só depois de um certo tempo a Lubich percebeu que na verdade aquele dom era dado a ela e a ninguém mais, ao menos não desta forma forte, límpida, arrebatadora. Mas, com o tempo, percebeu também que os seus primeiros companheiros, que eram enviados por toda a parte – na Itália inicialmente, depois na Europa e nos outros continentes – se tornavam, também eles, de algum modo, portadores, multiplicadores do carisma, “pequenas fontes” por sua vez». «Nos dias de hoje – e no meu livro é documentado amplamente – o coração do carisma da Lubich está ligado a ter identificado – por dom – e depois profundamente examinado, como nunca na história de dois milênios de vida cristã, o significado daquele ápice da paixão que constitui o momento do grito de abandono de um homem-Deus».

A história dos Focolari é, no início, uma história feita também de uma longa e sofrida expectativa do reconhecimento formal por parte da Igreja. «No início dos anos Cinquenta o Santo Ofício examina os papéis e documentos sobre os Focolares e inicia uma série de confrontos com a jovem fundadora. Para pôr à prova ela e os seus, e mensurar a sua fidelidade à Igreja, lhe pede para dar um passo atrás, de não exercer mais a função de responsável do Movimento. O seu entourage nunca ocultará quem é realmente a alma do Movimento e não houve crise de liderança durante todos aqueles anos, até quando Paulo VI resolveu definitivamente a questão. Em 1965 a Lubich assinará a sua primeira carta como presidente dos Focolares. Hoje, à distância de tempo, se inicia a colher que por detrás da sua estatura de portadora de espiritualidade, havia também uma densidade pouco comum de pensamento ». Em anos mais recentes, a intuição carismática da fundadora se traduz inclusive numa série de propostas concretas como contribuição à resolução de questões sociais ou culturais. Como a Economia de Comunhão, «que realiza a opção preferencial pelos pobres e, ao mesmo tempo, valoriza quem sabe contribuir para a vida econômica com o talento não comum do empreendedorismo», ou a fundação do Instituto Sophia, «como contribuição interessante aos debates e às tribulações do pensamento contemporâneo».

Hoje, todos os membros dos Focolares de algum modo levam e multiplicam» o carisma de Chiara Lubich «para realizar o ut omnes». E Callebaut conclui: «Tem trabalho para alguns séculos, me parece».

 

Bernhard CallebautCallebaut Bernhard, Tradition, charisme et prophétie dans le Mouvement international des Focolari. Analyse sociologique, Paris, Nouvelle Cité, 2010, LXXXIII + 537 p. Trad. it. La nascita dei Focolari. Storia e sociologia di un carisma (1943-1965), Città Nuova – Sophia, Roma 2017, pp. 640.

Leia a entrevista completa de Lorenzo Prezzi, em italiano: http://www.settimananews.it/spiritualita/focolari-movimento-carisma-storia/

Source: Site Internacional

Regolamento (500)