Mais que trincheiras, momentos de crise solicitam a coragem do diálogo

 

Tempos de crise (pessoais ou sociais), como esse que estamos vivendo, são tempos de mudança, mas que, dependendo das nossas posições e atitudes, seguem um ou outro caminho.

Ainda que não façamos a mesma leitura, possivelmente concordamos que essa crise política que estamos vivendo é resultado de várias situações que, enquanto sociedade organizada e instituições democráticas, não estamos sabendo resolver através do diálogo e dos espaços políticos.

E uma de suas consequências, é que estamos vivendo nesses últimos dias, uma certa comoção, de tristeza ou de euforia, com a prisão do ex-presidente Lula. Não é intenção dessa carta entrar nas razões da prisão, mas chamar a atenção para o contraste vivido por conta desse fato. Por um lado pessoas festejando e de outro pessoas machucadas. E se olharmos as manifestações, nas ruas ou nas redes sociais, veremos que a forma de reagir a esse fato demonstra uma grande dificuldade/fragilidade, senão incapacidade social de discutirmos e falarmos sobre política de forma racional/sensata justamente com aqueles que se encontram, diante desse fato, em posições diferentes. Sem o necessário diálogo permanente com o diferente, a política evapora. Vale sublinhar que essa dificuldade de dialogar com quem tem uma posição política diferente não é nova.

Mas o que podemos fazer para não deixarmos que a euforia ou tristeza acabem por nos fechar cada vez mais em nossas trincheiras (trincheiras no sentido que investimos todas as nossas forças apenas na defesa das ideias, sem nos darmos conta que assim vamos destruindo as pontes para o necessário diálogo político)?

Viver a democracia supõe gestação constante a partir das diferentes concepções de política e de sociedade. E nessa gestação, exercitar o diálogo político supõe que exista o espaço para que eu possa expressar a minha concepção política e social, considerando logicamente que o outro diverso de mim também possa expressar as suas opções e ideias políticas.

Tempos de crise como esses que estamos vivendo, solicitam maior coragem, determinação e, possivelmente, certa dose de risco. Coragem para sairmos das nossas trincheiras desarmados e, aproveitando a criatividade que nos caracteriza, nos arriscarmos ao diálogo com determinação, especialmente com aquele que se encontra e se posiciona com ideias e propostas contrárias as minhas. Viver a política, em sua raiz, em sua profundidade, como o “amor dos amores”, requer um permanente exercício para que busquemos fundamentar racionalmente nossas ideias, para além dos sentimentos e opiniões, e igualmente o exercício do diálogo com as ideias do outro.

Porém, para que possamos viver com coragem essa determinação que nos leva ao diálogo político com a diferente, é necessário um elemento fundamental: compreendermos e orientarmos as nossas relações políticas a partir da fraternidade universal (universal porque diz respeito a toda humanidade) enquanto princípio político.

O princípio fraterno, ao se tornar práxis política, subverte a nossa forma de olhar e viver a política, justamente porque coloca em questão as nossas relações sociais, políticas e institucionais. Para muitos a política é o espaço onde os conflitos se encontram e são resolvidos segundo o poder de cada grupo envolvido e igualmente segundo as regras pactuadas. Para o Movimento político pela Unidade, a política continua sendo o espaço privilegiado para a resolução dos conflitos sociais, mas pode ser também o espaço do encontro, onde a sociedade, na diversidade das suas riquezas, capacidades, criatividade, se encontra para resolver seus conflitos, seus problemas, através do diálogo permanente.

Mas, para não ficarmos apenas nos conceitos e aproximá-los ao que estamos vivenciando, o que podemos fazer, de maneira organizada, coletiva, horizontal, para construirmos juntos uma experiência político fraterna, saindo das nossas trincheiras?

Cada um de nós poderia desenhar aqui suas propostas e alternativas.

Durante esse ano, estaremos envolvidos com as eleições e, evidente, temos que nos preparar (isso demanda tempo, diálogo, aprendizado, conhecimento) para escolhermos bem nosso representantes estaduais e federais. Isso é muito importante.

Contudo, ressaltamos o fato de todos nós estarmos ancorados em um contexto social, uma comunidade, uma cidade determinada. E esse contexto, comunidade ou cidade, nos oferece o terreno fértil para vivermos uma política fraterna criativa, que nos permita um aprendizado permanente. Que leve em conta todas as pessoas com as quais essa cidade é o que é na história e no tempo, gestando coletivamente através das nossas ações, do diálogo que deve ser permanente, as possíveis utopias que queremos para as nossas comunidades, cidades, estados, país, humanidade.

O que podemos fazer? Por onde começar? Como criar pontes de diálogo político fraterno com as pessoas (especialmente com as que pensam diferente de mim)?

Para isso, bastaria sairmos das nossas trincheiras individuais e virtuais e irmos ao encontro das pessoas (nas ruas, associações, no trabalho, escola, nos vários espaços participativos existentes, nos parlamentos, nas prefeituras) e juntarmos nossas forças, nossas diferenças, com coragem, muito diálogo e de maneira fraterna, para construirmos as pontes necessárias, a partir das nossas capacidades e riquezas, para fazermos frente aos vários problemas que enfrentamos cotidianamente.

Quem sabe conhecer e participar das associações, conselhos municipais, … dos espaços participativos, ao lado das forças/movimentos sociais existentes?

Quem sabe conhecer e acompanhar nossos representantes? Propormos com eles uma frente parlamentar fraterna (de diálogo) que tenha em vista a nossa cidade?

Quem sabe nos debruçarmos juntos sobre os problemas (sociais, políticos, econômicos) que nos envolvem e buscarmos, a partir das diferentes ideias e propostas, soluções mais efetivas?

Quem sabe … o que nossa criatividade, movidos por essa paixão político fraterna, pode nos sugerir.

Convidamos a todos para gestarmos, em uma relação que respeite as diferenças, uma cultura política fraterna e possivelmente darmos vida a um novo sujeito político, o político da unidade.

O Movimento Político pela Unidade não apenas propõe a fraternidade como princípio político, mas se coloca inteiro nesse desafio, ao lado de todos os brasileiros, para que possamos aproveitar a oportunidade que essa crise nos oferece, e a partir das riquezas e capacidades que nos caracterizam enquanto brasileiros, gestarmos as necessárias soluções. Nos permitindo um aprendizado coletivo, político, fraterno.

Movimento Político pela Unidade

brasil@mppu.org.br

Regolamento (500)