Serei eu a madrinha!

 

 Em 2014, iniciei o estágio com acadêmicos do oitavo semestre da Faculdade de Enfermagem na sala de espera do Consultório de Rua.

Sentávamos próximo ao Solismar (um morador de rua). Ele ficava dormindo no banco da praça até meio dia, enquanto eu utilizava a área para desenvolver a atividade com os outros moradores de rua.

Eu sempre insistia muito com ele para nos ajudar na execução dos trabalhos manuais e de geração de renda como elaborar cadernetas com a retribuição financeira de um real. E às vezes o deixava motivado a levantar mais cedo, antes das doze horas, para almoçar no restaurante popular.

Nas primeiras semanas do estágio, falávamos sobre “O Direito a Educação” e após a palestra levávamos os interessados até a escola fundamental EPA, que ensina pessoas em situação de rua.

Ali, o diretor e alguns professores recebiam os futuros alunos. Numa dessas visitas, o Solismar sentiu vontade de voltar a estudar! Foram dois anos de estudos.

Agora em 2018, ele me contou que tinha se formado no ensino fundamental e que conseguira vaga no Colégio Júlio de Castilhos.

Solismar me pediu um padrinho para ajudá-lo a comprar material escolar e uniforme. Respondi logo que seria eu a madrinha!

 

A experiência de sair com Solismar e fazer as compras foi muito especial. Ele procurava os produtos mais baratos.

Senti que Solismar era como um sobrinho ou irmão. Disse a ele que ser madrinha significava ajudá-lo, mas também entender a importância de como me fazer presente com ele nos seus estudos.

Um dia, Solismar escreveu publicamente: “A professora Themis Dovera fez a diferença nos meus estudos, ela comprou todos os materiais escolares e mais as minhas roupas que eu precisava para eu estudar este ano na escola Júlio de Castilhos. Ela me apadrinhou nos meus estudos. Essa ideia devia ser de todos, que se julgam cidadãos. Olhar apenas para os meus problemas, não ajuda ninguém!”.

 

(Themis – POA)

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