Espírito Santo realiza II Seminário Direito e Fraternidade

 

No dia 26 de maio, cerca de 40 pessoas participaram da II edição do Seminário Direito e Fraternidade, que se realizou no Anfiteatro I – do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo.
As apresentações começaram com uma breve explicação sobre o carisma da unidade de Chiara Lubich, centelha inspiradora do grupo Direito e Fraternidade, conduzida por D´Ajuda Merlin.

Em seguida, o coordenador do grupo no ES, Renato Lana, ressaltou a hitória, algumas experiências, resultados reflexivos e os objetivos deste grupo focado em levar a fraternidade ao meio jurídico.

Seguiu-se então uma rodada e testemunhos.

Jefferson Valente, promotor público, procurou explicitar como se esforça por viver a fraternidade e a justiça no seu ambiente de trabalho. Lembrou em sua apresentação da experiência de um juiz que se recusou a tomar suco antes que o mesmo fosse oferecido aos réus presentes em um julgamento e como isso o marcou. Ressaltou a necessidade de nunca se perder a ternura, ainda que precise em alguma circunstância ser duro. Além disso, frisou que “aplicar a lei é fácil, difícil é fazer justiça”.

Valente também contou a experiência de um soldado que, alcoolizado, atirou em uma moça, com consequências para a família da vítima e do próprio policial. Naquela situação buscou muito mas fazer justiça do que simplesmente cumpri a lei, almejando o menor sofrimento para todos os envolvidos na tragédia.

Trabalhando no interior do ES, Valente testemunhou ainda sobre o caso de um senhor alcoólatra que, sempre o afrontava em público. Com amor, e sem se valer da sua autoridade, aos poucos conseguiu a sua amizade e contribuiu para que aquele indivíduo superasse o vício e se reconstruísse enquanto pessoa assumindo uma nova postura diante da vida.

Em seguida, o coronel José Carlos Florido contou a todos sua experiência com os presidiários. Junto à sua comunidade espírita, Pastoral Carcerária e outras denominações religiosas participa de m grupo que tem como lema: “Onde não há caridade, há mais vingança do que justiça” que atende cerca de 400 presidiários por semana. Eles ajudam com comida, roupa, passagens para retornar às suas casas e auxílio para encontrar trabalho. São 2.400 voluntários para atender a essa demanda.

Logo após, seguiu-se a fala de Angélica Tedesco sobre sua participação no Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília, que contou com 47 países e com duração de uma semana. Guiada pelo ideal de fraternidade, procurou agir sem perder a esperança e a serenidade, mesmo se encontrou ali discursos mais voltados para interesses particulares que não levavam em conta o bem comum.

Tedesco destacou a importância e o diálogo que estabeleceu com um dos participantes do evento, pertencente a Comissão de Justiça e Paz de Brasília que continuou a ser alimentado mesmo depois do encontro, mediante correspondências e partilhando com ele os textos da Palavra de Vida e do “passa parola”.

As considerações finais do Seminário ficaram ao encargo do filósofo e professor Antônio Vidal Nunes que disse encontrar nas experiências apresentadas um sinal de esperança em meio ao mundo sombrio e de profunda crise em que vivemos.

Vidal também destacou a importância de estarmos bem unidos para juntos atravessar o deserto, seja lá qual for a sua extensão; não apenas nos defendendo dos riscos, mas projetando e realizando novas possibilidades, guiados pela esperança que nunca devemos perder. Pois é a partir dela que podemos pensar uma nova humanidade.

 

 

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