“Nós não falamos sobre a Amazônia, nós somos a Amazônia”

 

“Nós não falamos sobre a floresta, nós somos a floresta. Nós não falamos sobre a Amazônia, nós somos a Amazônia,” foi o que disse Márcia Wayna Kambeba, uma indígena, para os participantes do 2º Curso de Férias do Instituto Universitário Sophia ALC – América Latina e Caribe, realizado entre os dias 22 a 28 de julho, na Mariápolis Glória, em Benevides, no Pará.

O evento teve como tema: “Diversidade, Desenvolvimento, Violência e Mobilidade Humana na América Latina. O caso da região Pan Amazônica”, e contou com a participação de 50 pessoas, entre estudantes universitários de diversas áreas, professores locais, nacionais e internacionais.

O propósito da temática foi ajudar os participantes a retomar as origens, entender a história, criar um relacionamento de amor com a natureza e a aflorar a responsabilidade de cada um por ela, compreendendo que todos nós somos a natureza.

A partir de profundas reflexões e diálogos contínuos entre todos, puderam desconstruir as ilusões e reconstruir juntos a verdadeira realidade das Amazônias.

Uma realidade que ajuda a compreender o mundo inteiro, já que compreende trajetórias culturais e históricas que estimulam o diálogo respeitoso entre diferentes visões de mundo e religiões.

Para Belisa Amaral, estudante de Jornalismo em Belém, “a Amazônia não deve ser vista com o olhar de interesses econômicos, pela riqueza de recursos naturais. O mundo precisa explorar sua cultura, sua beleza, sua gente. Gente rica em sabedoria e amor pela sua própria terra. Gente que faz resistir a sua própria língua, seus costumes, sua identidade em meio a tantas ameaças. Uma Amazônia que é forte pelo seu povo, pelas suas comunidades tradicionais, quilombolas e povos indígenas”.

Foi um verdadeiro laboratório de humanidade que despertou em homens e mulheres o desejo de serem mais críticos e mais humanos e motivou a serem protagonistas no lugar aonde estão, procurando alternativas para solucionar ou pelo menos minimizar os problemas sociais e ambientais que existem com um novo modelo de vida.

Segundo Marcelo Rizzo, mestrando em Direitos Humanos, paulista, o curso serviu para o seu crescimento como pessoa. “O curso de férias foi para mim, o conhecimento atrelado a espiritualidade para a humanização e maior empatia das pessoas sobre a cultura indígena, assuntos da Amazônia e meio ambiente em geral”.

* Com a contribuição de Belisa Amaral

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