Uma nova luz no caminho em direção à unidade

 

Às vésperas de celebrarmos o centenário de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, registramos aqui um brevíssimo dossiê sobre a sua vida. Mais que uma homenagem, queremos evidenciar o profundo significado que a vida de Chiara possui para a Igreja e para humanidade.

 

Luís Henrique Marques

 

“Apóstola do diálogo”. Certamente, essa é uma das mais belas e precisas entre as definições a respeito da pessoa de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares ou Obra de Maria, como esse movimento eclesial é oficialmente reconhecido pela Igreja.

De fato, a aventura que viveu – e para a qual arrastou milhões de pessoas ao redor do mundo ao longo dos últimos 76 anos – deu vida ao carisma da unidade o qual é marcado pela experiência do amor recíproco e do diálogo entre as pessoas e grupos – quaisquer que sejam sua religião ou cultura -, tendo em vista fazer da humanidade uma grande família.

Neste 14 de março de 2019, são celebrados os 11 anos do falecimento de Chiara, que deixou esta terra em 2008, aos 88 anos.

As múltiplas expressões e realizações dessa espiritualidade na Igreja, assim definida como coletiva, se encontram no mundo todo, nos mais diferentes âmbitos do pensamento e atividade humana, tendo a sua frente pessoas de diferentes gerações, condição social e cultura.

Todas essas realizações sempre foram para Chiara a concretização de uma única Vontade de Deus: a unidade. O que poderia ter gerado tantas e tão belas obras? Certamente, Chiara mesma diria: “Deus entre duas ou mais pessoas que se amam concretamente”. Com efeito, certa vez, perguntaram a Chiara como fazia para seguir tantas pessoas. Sua resposta foi simples e desconcertante: “Eu não sigo as pessoas, sigo a Deus”.

Confira aqui os eventos realizados em homenagem a Chiara em todo o Brasil

Origens e nova espiritualidade

 

Nesse sentido, a obra não é de Chiara, mas da ação de Deus entre aqueles que abraçaram esse carisma. No entanto, é fato que coube a ela dar o primeiro “sim” ao chamado de Deus para segui-Lo e que, mais tarde, significou construir essa Sua obra.

Experiência que Chiara iniciou ainda muito jovem na cidade de Trento, no norte da Itália. Filha de mãe católica e pai socialista, a segunda de uma família de quatro irmãos, Chiara (cujo nome de batismo é Sílvia) viu seu sonho de estudar filosofia na Universidade de Veneza naufragar com o advento da Segunda Guerra Mundial. É fato que esse sonho já revelava o desejo profundo de Chiara de aproximar-se e compreender profundamente a Deus.

Chiara nunca chegou a cursar a universidade. Mas aquilo que Deus lhe reservou daquele momento em diante nenhuma formação ou titulação universitária seria capaz de lhe dar.

Por uma série de circunstâncias, a jovem Chiara compreendeu o chamado a doar-se completamente a Deus numa vocação original: o focolare, uma vida comunitária marcada pela presença espiritual de Jesus entre as pessoas, assegurada pelo amor recíproco entre elas.

Desde esse primeiro momento e mesmo diante dos horrores da guerra, Chiara é acompanhada por algumas de suas jovens amigas que respondem afirmativamente a esse mesmo chamado. A resposta é concreta, feita da vivência das palavras do Evangelho e que, naquele primeiro e difícil contexto, significava amar especialmente os pobres, os que mais sofriam por consequência do conflito.

O amor contagiante daquele jovem grupo cativa muitas pessoas que aderem a um novo estilo de vida evangélica ainda nascente.

Sempre protagonista – por que a pessoa a quem Deus confiou por primeiro esse seu novo carisma para a Igreja – Chiara intui logo que, dentre as palavras do Evangelho, uma era especialmente destinada àquele grupo, o assim chamado testamento de Jesus: “Pai, que todos sejam um como eu e tu somos um” (Jo 17,21).

Então, Chiara e suas primeiras companheiras decidem fazer daquela frase do Evangelho seu programa de vida. Ao redor delas cresce o número de pessoas que se sentem atraídas a viver essa mesma vocação à unidade. Aos poucos e sempre com o acompanhamento e aprovação da Igreja, esse grupo se transforma no que é hoje o Movimento dos Focolares.

 

Diálogos e reconhecimento

 

Na experiência da construção da unidade entre as pessoas, Chiara intui também que a metodologia fundamental para cumprir esse designo divino é a realização do diálogo mais profundo entre as pessoas, quer sejam católicas, com pessoas de outras Igrejas cristãs, com fiéis de outras religiões, com pessoas sem convicção religiosa e com a cultura contemporânea.

Sempre inspirada pelos valores do Evangelho, Chiara viveu em primeira pessoa e incentivou a todos a “buscar aquilo que unia” no lugar de “parar diante daquilo que desune”. Esse diálogo compreende, antes de tudo, gestos de profundo respeito e de amor concreto ao outro. Essa experiência se concretiza tanto nas relações pessoais quanto na realização de obras religiosas, sociais, políticas e culturais.

Assim, desde 1977, quando recebeu, em Londres, o Prêmio Templeton pelo progresso da religião, Chiara e sua Obra têm sido condecorados por uma série de prêmios e homenagens, o que inclui 16 títulos honoris causa ofertados por diferentes universidades de quatro continentes. Tudo isso é, sem dúvida, expressões de gratidão e reconhecimento de pessoas e instituições a essa obra de Deus.

Uma das últimas e significativas formas de reconhecimento da experiência da vida de Chiara e sua dedicação à construção da unidade partiu do bispo de Frascatti (Itália), Dom Raffaello Martinelli, no último dia 27 de janeiro de 2015. “Pela sua fama de santidade, crescente com o passar dos anos…” dizia o edital assinado por Dom Raffaello que deu início ao processo da causa de beatificação e canonização de Chiara Lubich, a qual, “acolhendo o convite do Senhor, acendeu para a Igreja uma nova luz no caminho em direção à unidade”.


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