“Mente, Coração, Mãos” pelos refugiados e imigrantes no Brasil

 

Sou Clefaude Estimable, haitiano, membro do Movimento dos Focolares no qual atuo junto às crianças e adolescentes. Sou também estagiário voluntário na Prefeitura de Florianópolis, como Mediador Cultural e Intérprete para auxiliar na comunicação com os Imigrantes e Refugiados.

Minha experiência começou com um pequeno gesto de amor.

Um dia, voltando da universidade, cedi um lugar no ônibus para uma mãe, imigrante, com seus 2 filhos. Então começamos uma conversa, como se já nos conhecêssemos há tempos. Ela me contou a dificuldade que estava enfrentando para achar uma vaga nas escolas públicas e nas creches para seus filhos.

Logo me lembrei de três palavras do Papa Francisco “Mente, Coração, Mãos” e percebi que não podia ficar de braços cruzados e deveria ajudar concretamente aquela mãe.

Como trabalho na Secretária Municipal de Assistência Social, tenho acesso ao Conselho Tutelar. Fui até lá, pois ela não fala português, e consegui as vagas que ela precisava: uma na creche e outra na escola pública.

Mas sentia que isso não era o suficiente. Aquela mãe não estava trabalhando e ainda passava por diversas dificuldades.

Levei essa situação e esta experiência em um Seminário da disciplina de Psicologia Educacional que estou cursando na universidade. Meus colegas e professor ficaram sem palavras diante dessa realidade difícil. Foi então que uma colega sugeriu para o professor de fazer um projeto de pesquisa junto comigo sobre a inserção das crianças imigrantes e refugiadas em Escolas Públicas Brasileiras.

O projeto de pesquisa já ficou pronto e foi aprovado com nota máxima! Agora vamos apresentá-lo no próximo semestre no Instituto Estadual de Florianópolis.

Para completar, não posso deixar de mencionar a generosidade de pessoas que conhecem o trabalho que estou realizando com as crianças da comunidade na qual está inserida o Focolare de Florianópolis. Amigos e amigas de turma me ajudaram com uma computador para uma família, além de mochilas, cadernos, lápis, tênis e fraldas para as crianças.

Levando em consideração o cenário global atual onde o deslocamento forçado de refugiados e migrantes aumenta cada vez mais pelas condições sócio-políticas ou catástrofes naturais que afetam milhões de pessoas e, entendendo que a realidade do refugiado e do migrante em nossa sociedade é marcada por diferenças que surgem nos mais diversos contextos dentro dos países acolhedores, sinto que precisamos priorizar o acolhimento e a integração destas pessoas.

E isso é possível fazer por meio do evangelho vivido mesmo nas pequenas ações do nosso quotidiano.


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