Fraternidade e Direito na comunidade

 

Após dois meses e meio de muita dedicação e comprometimento, o grupo Direito e Fraternidade do Amazonas concluiu a última das 12 oficinas de cidadania ofertadas, no projeto de educação em Direitos “Fraternidade e Direito na Comunidade”.

O grupo faz parte da rede internacional Comunhão e Direito, que reúne juristas do mundo inteiro, empenhados na construção de uma sociedade fraterna, através de sua atuação profissional. Animados pelo Movimento dos Focolares, inspiram-se no carisma de Chiara Lubich, que promove o diálogo e a fraternidade universal entre povos, religiões, culturas.

O projeto Fraternidade e Direito se realizou na Zona Leste de Manaus. Contou com 42 alunos, dentre adolescentes, jovens e adultos, além da inserção de refugiados venezuelanos, todos pertencentes às famílias acompanhadas pelo Centro Social Roger Cunha Rodrigues. Teve o apoio pessoal e voluntário de um grande número de juristas: advogados, promotores, magistrados, acadêmicos de direito e servidores públicos, que disponibilizaram seu tempo e conhecimentos para levar cidadania e esperança à Comunidade, num gesto magnificamente fraterno.

As oficinas se iniciaram com uma aula de “Direito Constitucional” e prosseguiram abordando os principais direitos, com temas como o nascimento, direito ao nome e registro civil, direito à saúde, direitos da criança e do adolescente, direitos civis e políticos, instituições, direito de família e sucessões, noções de posse e propriedade, direito do trabalho, direito do consumidor e direito das sucessões. A última oficina foi dedicada ao “Principio da Fraternidade”, percorrendo suas origens históricas, constitucionais, e a necessidade do seu resgate na prática cotidiana. A exposição se encerrou com a apresentação do grupo Direito e Fraternidade, com sua origem e inspiração: Chiara Lubich, o Movimento dos Focolares e a rede internacional de Comunhão e Direito.

Após a entrega dos certificados de conclusão do curso, três alunas venezuelanas homenagearam os “fraternalistas” com um lindo e delicioso bolo, no qual a fraternidade se expressava no abraço entre os personagens brasileiro e venezuelano.

O projeto finalizou em em 13/06, com a realização de uma grande “ação fraterna”. Os juristas mobilizaram uma verdadeira corrente de fraternidade, que rapidamente se difundiu, envolvendo os amigos e amigos dos amigos. Juntos, não mediram esforços para reunir parcerias com o poder público, nas três esferas: judiciário, executivo e legislativo.

Os amigos – profissionais liberais de diversas áreas – generosamente se disponibilizaram para oferecer atendimento jurídico, médico, odontológico, psicológico, nutricional, estético, fisioterapêutico e atividades desportivas infanto-juvenis.

Os amigos dos amigos participaram através de doações do material de atendimento: escovas de dente, creme dental, flúor, agulhas, medicamentos, resmas de papel, água, alimentos para o lanche.

Os parceiros, por sua vez, disponibilizaram parte de sua estrutura (ônibus, computadores e servidores públicos) para o atendimento da comunidade, nos serviços ofertados: Justiça itinerante, Praça do Consumidor, Secretaria de Segurança Pública, Consulta do CPF, cadastro na plataforma CDL de empregabilidade, expedição de documentos, stand da Justiça do Trabalho, dentre outros.

Os fraternalistas que idealizaram o projeto e ministraram as 12 oficinas, deixaram o espaço de atendimento da ação fraterna aos amigos convidados, para trabalharem com grande alegria nos bastidores: organizando os ambientes, realizando a triagem dos atendimentos, preparando o lanche, promovendo rodas de conversa com as crianças e adolescentes que aguardavam os pais serem atendidos, acolhendo a comunidade e os voluntários que chegavam.

Em uma única manhã, foram realizadas 45 atendimentos jurídicos, 75 consultas médicas, 40 atendimentos odontológicos, 17 atendimentos fisioterapêuticos, 8 atendimentos psicológicos, 36 cortes de cabelo, além de atividades infanto-juvenis para 47 crianças e adolescentes que passaram ao longo da ação, além da emissão de 30 documentos (carteira de trabalho e segunda via de RG e CPF).

A sociedade fraterna que almejam deixou de ser utopia, pois uma porção dela se concretizou no seio daquela comunidade. O projeto realizado nos deu prova inequívoca de que a fraternidade pode ser sim um instrumento de transformador de promoção humana e social.

A semente da cidadania foi plantada em terreno fértil, através das oficinas de educação em Direitos. E a ação fraterna coroou essa experiência, regando de esperança os horizontes daquela comunidade. (Também podemos dizer que foi a deliciosa “cereja do bolo”).

“Em um trabalho como esse, nos sentimos sozinhos por vários motivos… Sempre precisamos de alguma esperança. Hoje saímos fortalecidos e queremos agradecer o grupo Direito e Fraternidade, em nome de toda a Comunidade”, confidenciou José Carlos de Oliveira, Diretor do Centro Social Roger Cunha.

Os fraternalistas se reuniram no desejo de doar um pouco de conhecimentos e oportunidades, mas acabaram recebendo bem mais do que imaginavam dar. Foram presenteados por uma alegria nova, verdadeira, nascida da prática cotidiana da fraternidade. Uma experiência capaz de ressignificar suas vidas profissionais e os relacionamentos que estabelecem, e que os torna cada vez mais conscientes do nosso pertencimento à uma única família universal, sem divisões, distinções ou barreiras.

 


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