Projeto Amazônia 2019: novos caminhos de evangelização

 

Esses novos caminhos de evangelização devem ser elaborados para e com o povo de Deus que habita nessa região: habitantes de comunidades e zonas rurais, de cidades e grandes metrópoles, ribeirinhos, migrantes e deslocados e, especialmente, para e com os povos indígenas. ”

Esta é uma frase do preâmbulo do Sínodo para a Amazônia, que será realizado em outubro deste ano em Roma e que reflete bem a experiência do Projeto Amazônia, realizado desde 2005 por missionários ligados ao Movimento dos Focolares que buscam levar a espiritualidade da unidade e amor concreto às comunidades amazônicas.

Um projeto, duas cidades no coração da Amazônia, muitas famílias a serem acolhidas e amadas. Em mais uma edição, o Projeto Amazônia realizou atividades sociais, culturais e religiosas com crianças, adolescentes e adultos residentes em Óbidos, no Pará, e Magníficat, no Maranhão.

Projeto Amazônia em Óbidos

Missionários de nove estados do Brasil, além de uma jovem equatoriana, se dirigiram a Óbidos para a quinta edição do Projeto, entre os dias 4 e 14 de julho.

Este ano, chegaram carregados de doações, recolhidas em todo o Brasil. Eram 148 caixas, levadas até Belém pela Aeronáutica e despachadas de Balsa pela comunidade de Belém dos Focolares até o interior da Amazônia. Com a generosidade de diversas famílias de São Paulo, Rio e Minas Gerais, a comunidade de Óbidos pode receber medicamentos, aparelhos e fitas para medir glicemia, kits de higiene bucal, balanças, brinquedos, roupas e livros.

Nas seis comunidades visitadas – duas na periferia de Óbidos, uma isolada na floresta, duas às margens de lagos e uma na margem do rio Amazonas – foram visitadas 339 famílias. Muitas muitas eram evangélicas e a atitude de escuta por amor gerou uma atmosfera na qual o Evangelho foi o ponto central da conversa.

A Palavra de Vida de julho “De graça recebestes, de graça deveis dar” foi a referência para as visitas e foram deixados 580 folhetos nas casas.

No início do Projeto eu me dispus a ouvir as pessoas. Não só preencher a ficha da triagem médica, mas, acolher cada pessoa com uma atitude de vazio interior. Foi uma oportunidade para ouvir as pessoas por amor. Saí da minha situação de habitante de cidade grande e amar as pessoas que encontrei aqui. Volto para casa renovado”, contou um missionário.

A presença de cinco enfermeiras que aferiam a pressão arterial, pesavam crianças e adultos e faziam o teste de glicose, contribuiu muito para agilizar o atendimento médico prestado às famílias. Foram atendidas 722 pessoas entre crianças, jovens e adultos que, após a consulta, recebiam os remédios necessários.

Além disso, os missionários também praticaram atendimentos odontológicos. Foram atendidas 68 pessoas e realizados 100 procedimentos. Em todas as comunidades foi explicado às crianças, 400 no total, a maneira correta de fazer a higiene bucal e cada uma recebeu um kit: fio dental, escova e pasta.

Três enfermeiras e uma professora de educação física foram nas casas das pessoas que, por motivo de saúde, não conseguiram ir ao lugar de atendimento para dar dicas de saúde e exercícios físicos. Uma senhora, ao ser atendida, disse: “Eu estava rezando, pedindo a Jesus para que eu pudesse ir a uma consulta médica. Ele me atendeu por meio de vocês”.

A comunidade respondeu ao amor dos missionários com mais amor ainda. Prepararam almoços e lanches, em um deles com peixe, pato, galinha caipira e doces que conseguiram com doações de famílias locais.

Os remédios que não foram distribuídos, foram doados ao hospital local, dos franciscanos, e foram recebidos com muita alegria pelos freis.

Há muito eu não sentia a presença de Deus senti nesses dias. É difícil constatar situações nas quais as pessoas não têm acesso ao mínimo indispensável para cuidar da saúde e poder fazer alguma coisa por elas é gratificante”, concluiu outro missionário.

 

Projeto Amazônia em Magnificat

Magníficat é um pequeno município de Itapecuru Mirim, no Maranhão e pelo 12º ano recebeu uma edição do Projeto Amazônia, entre os dias 13 a 20 de julho.

Nesta edição, o Projeto se desenvolveu em duas etapas.

Na primeira etapa, alunos e professores participaram de oficinas oferecidas pelos missionários na Escola Maria do Rosário. As temáticas tratavam do relacionamento entre alunos e professores, a comunicação, o amor concreto, a liderança e da leitura de livros que envolvem valores humanos.

Na oficina de liderança, por exemplo, eles puderam pensar sobre quem é o líder. Em um resposta, um aluno respondeu: “O líder é aquele que nos ajuda a escolher bem e orientar a todos para o bem. Por exemplo minha avó, que sempre me ensinou a cuidar eu mesmo da minha vida”.

Como exercício prático eles escolheram um diretor e um tesoureiro da escola e listaram o que deveria ser feito e pensaram juntos em como trabalhar pelo bem comum.

Já na segunda etapa, os missionários se dedicaram a visitar às comunidades: Campo Rio, Lavandeira, Barriguda e Piqui. Jogaram com as crianças, conversaram com os casais e realizaram uma oficina sobre associativismo. As noites foram dedicadas aos jovens assuntos do interesse deles, filmes e jogos.

A pergunta mais frequente das crianças era: “vocês vão voltar o ano que vem?”

Com a certeza de que não há amor maior do que dar a vida pelos amigos, certamente estaremos de volta no ano que vem!

 

Uma linha do tempo do Projeto Amazônia

 

No início de 2005, Dom Jaime Chemello, então presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia (comissão da CNBB), solicitou a ajuda do Movimento dos Focolares para evangelização daquela vasta região e, para isso, sugeriu que seguíssemos os nossos métodos e a nossa espiritualidade.

E assim, em 2005, nasceu o Projeto Amazônia. Jovens e adultos, membros do Movimento dos Focolares provenientes de vários estados – assumindo as despesas de transporte e alimentação – durante as férias se prontificaram a responder a esse apelo da Igreja.

Ao falar sobre esta iniciativa com os bispos locais eles aconselharam visitar as famílias, tanto em comunidades na periferia das cidades quanto naquelas isoladas na floresta ou nas margens dos rios. Esta continua sendo a principal ação do Projeto: essas visitas são oportunidades para irmos ao encontro de Jesus presente no próximo; não tanto para levar coisas materiais, mas, para levar Jesus em nós e entre nós, levar a Sua palavra.

Em 2005 e 2006 foram feitas visitas a várias comunidades no Maranhão (Magnificat), no Acre e em Rondônia. E ainda em 2005 surgiu a possibilidade de os participantes do Projeto serem hospedados pelas famílias das paróquias locais e, com elas, fazer as visitas. A hospedagem nas famílias continua até hoje e isto possibilita a realização do Projeto que não dispõe de nenhum fundo para o pagamento de despesas.

Em 2007, o título da Campanha da Fraternidade foi “Fraternidade e Amazônia” com o lema “Vida e missão neste chão” e o Projeto foi realizado em Curupaiti (PA) e Porto Velho (RO).

A partir de 2008, cada ano em um lugar diferente, o Projeto foi realizado nas seguintes cidades: Cerejeiras, Vilhena, Corumbiara e Porto Velho (RO) Rio Branco (AC), Humaitá (AM) Santarém, Curupaiti, Abaetetuba, Bragança (PA) e em Barreirinha (AM) e em Óbidos (PA).

Ao longo desses anos outras pessoas – membros ou não do Focolares – participaram do Projeto e viveram o amor evangélico e encontraram “renovação interior”, “união com Deus”, “alegria por ter amado as pessoas que encontrei”, “grande paz interior que nasce da doação”: palavras dos participantes.

E esses frutos do Espírito refletem também nos relatos pessoas das comunidades visitadas: vida espiritual renovada, restabelecimento do diálogo e união de famílias, resoluções de alguns processos na justiça e renovação da esperança pessoal e na comunidade.

 

 


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