CA0028Qual devia ser o comportamento para demonstrar a Deus que era Ele o centro de todos os nossos interesses? Chiara e suas primeiras companheiras se perguntavam como colocar em prática o novo ideal de vida, Deus Amor. E logo isso pareceu quase óbvio: deviam, por sua vez, amar a Deus. Não teriam nenhum sentido na vida se não fossem “uma pequena chama daquele infinito braseiro: amor que responde ao Amor”. A dádiva de poder amar a Deus pareceu-lhes grande e sublime, de tal forma que com frequência repetiam: “Não é tanto que se deve dizer: ‘devemos amar a Deus’, mas, ‘Oh! Poder amar-te, Senhor! Poder amar-te com este pequeno coração”.

Recordaram-se de uma frase do Evangelho que não deixava, e não deixa, escapatória para quem quer conduzir uma vida cristã coerente: “Não quem diz ‘Senhor, Senhor…’ entrará no reino dos céus, mas quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Fazer a vontade de Deus era, portanto, a grande possibilidade que todas tinham de amá-lo. Deus e a sua vontade coincidiam.

Chiara escreveu: “Deus é como o sol. A cada um de nós chega um raio: a divina vontade sobre mim, sobre minha amiga, sobre a outra. Único sol, vários os raios, ainda que sempre raios de sol. Único Deus, única vontade, varia para cada um, ainda que sempre vontade de Deus. Era preciso caminhar no próprio raio, sem jamais sair dele. E caminhar no tempo que nos era dado. Não era o caso de divagar no passado ou fantasiar sobre o futuro. Precisava abandonar o passado na misericórdia de Deus, já que não nos pertencia mais, e o futuro seria vivido com plenitude, quando se tornasse presente. Somente o presente estava em nossas mãos. E para que Deus reinasse na nossa vida, deveríamos, no presente, concentrar mente, coração e forças no cumprimento da sua vontade.

Como um viajante no trem, que não pensa em caminhar pelo vagão para chegar antes ao destino, mas, sentado, deixa que o trem o leve, assim a nossa alma, para chegar a Deus deveria cumprir plenamente a sua vontade, no momento presente, porque o tempo caminha por si só. E não seria difícil demais entender o que Deus queria de nós. Ele manifestava a sua vontade através dos superiores, da Sagrada Escritura, dos deveres do próprio estado, das circunstâncias, das inspirações… momento por momento, iluminadas e ajudadas pela graça atual, teríamos construído o edifício da nossa santidade. Ou melhor, fazendo a vontade de um Outro – de Deus mesmo – ele teria edificado a si mesmo em nós.

Fazer a vontade de Deus, portanto, não significa apenas ‘resignação’, como muitas vezes se entende, mas a maior aventura divina que possa acontecer a uma pessoa, a de seguir não a própria vontade mesquinha, os próprios projetos limitados, mas Deus, e realizar o desígnio que Ele tem sobre cada filho seu, desígnio divino, impensável, riquíssimo. Para nós, fazer a vontade de Deus foi a descoberta de um caminho de santidade feito para todos. Como qualquer pessoa, seja qual for o lugar, situação ou vocação que se encontre, pode fazer a vontade de Deus, esta pode ser o bilhete de ingresso das multidões à santidade. Fazer a vontade de Deus para amá-lo tornou-se o segundo ponto da nossa espiritualidade da unidade”.


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